Tabela CBHPM: o que ela define, o que o convênio paga e o que falta
Tabela CBHPM: o que é, portes, UCO, diferença para TUSS e tabela AMB, edição vigente e por que ela não obriga o convênio. E o custo de depender dele.
8 min de leituraPor Pulsar
Neste artigo
- O que é a tabela CBHPM
- Como a CBHPM calcula o valor de um procedimento
- CBHPM, TUSS e tabela AMB: qual a diferença
- Tabela CBHPM 2025 e 2026: qual é a edição vigente
- A CBHPM é obrigatória para o convênio?
- O que a tabela CBHPM não resolve no faturamento do consultório
- Como diminuir a dependência do convênio sem largar a carteira
- Perguntas frequentes sobre a tabela CBHPM
- Resumo
A tabela CBHPM é a referência que as entidades médicas criaram para dizer quanto vale cada procedimento. O convênio não é obrigado a pagar por ela. Essa frase resume o que a maioria dos consultórios só entende quando senta para negociar o contrato, ou quando faz a conta do repasse e percebe que a consulta que a tabela valoriza paga menos que a hora da secretária.
O motivo de tanta confusão é que boa parte do que circula sobre a CBHPM ainda trata a tabela como norma obrigatória, com base numa resolução do CFM de 2003. Essa resolução foi revogada em 2021. A CBHPM continua valendo como parâmetro, e muito, mas parâmetro não é preço garantido.

Este post explica a tabela em linguagem de gestão: o que é, como os valores são montados, a diferença para a TUSS e para a tabela AMB, qual a edição vigente e o que muda no caixa de quem depende de convênio. Não é consultoria de faturamento. Os números de cada procedimento estão na publicação oficial, e a negociação é sua com cada operadora.
O que é a tabela CBHPM
CBHPM é a sigla de Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos. Segundo a Associação Médica Brasileira (AMB), é a publicação que consolida e classifica, de forma hierarquizada, os procedimentos da medicina brasileira, cobrindo todas as especialidades e estabelecendo um padrão mínimo aceitável para a remuneração do trabalho médico.
Ela nasceu em 2003, depois de décadas em que cada operadora criava a própria tabela de códigos e valores, sem critério e sem hierarquia entre os procedimentos. A estrutura foi coordenada pela FIPE e discutida com as sociedades de especialidade. Hoje, 54 sociedades nacionais filiadas à AMB trabalham na atualização.
"Hierarquizada" é a palavra que importa. A tabela não diz só o que cada procedimento vale. Ela diz quanto um vale em relação ao outro, pela complexidade técnica, pelo tempo e pelo risco. É isso que a torna útil numa negociação: você não discute o valor de uma consulta isolada, discute a régua inteira.
Como a CBHPM calcula o valor de um procedimento
Cada procedimento da tabela tem um código e é montado por componentes. Os principais:
- Porte. A complexidade do ato médico. São 14 portes, cada um com três subdivisões (de 1A a 14C), e cada subdivisão tem um valor em reais definido na edição vigente. A consulta, a cirurgia e o exame entram em portes diferentes.
- UCO (Unidade de Custo Operacional). O custo de estrutura: equipamento, insumo, sala, equipe. O procedimento tem uma quantidade de UCO, multiplicada pelo valor da unidade.
- Porte anestésico. Quando há anestesia, uma classificação própria que remete a um dos portes.
- Filme. Em exame de imagem, a metragem de filme usada.
- Regras de ajuste. Auxiliares, mais de um procedimento pela mesma via de acesso, acomodação, horário. As instruções gerais da tabela definem os percentuais.
O valor final é a soma desses componentes. Na prática, ninguém calcula na mão: o sistema de faturamento do consultório faz a conta, desde que esteja configurado com a edição e com o contrato certo de cada operadora.
CBHPM, TUSS e tabela AMB: qual a diferença
As três aparecem juntas na guia, e é comum misturar.
TUSS é a Terminologia Unificada da Saúde Suplementar, da ANS. Ela padroniza códigos e nomes dos procedimentos para a troca de informação entre consultório e operadora, no padrão TISS. Desde 2011, segundo a AMB, a ANS usa a CBHPM como referência para a nomenclatura e a codificação dos procedimentos médicos na TUSS. Por isso os códigos se parecem.
CBHPM organiza a hierarquia e o valor de referência. A TUSS diz "qual é o procedimento". A CBHPM diz "quanto ele vale perto dos outros".
Tabela AMB é como muita gente chama as listas de procedimentos que a própria AMB publicava antes da CBHPM. Alguns contratos antigos ainda citam essas edições como base de pagamento. Se o seu contrato fala em "tabela AMB", vale descobrir qual edição e quanto ela paga perto da CBHPM atual.
A CBHPM também pesa no que o plano cobre: desde 2013, a ANS usa a classificação como critério para atualizar o Rol de Procedimentos, e a previsão do procedimento na CBHPM é requisito para a incorporação, segundo a AMB.
Tabela CBHPM 2025 e 2026: qual é a edição vigente
Quem procura "tabela CBHPM 2026" geralmente espera uma edição nova por ano. Não é assim. Segundo a página oficial da AMB, a última edição da CBHPM é de 2022. Entre uma edição e outra, a tabela é ajustada por Resoluções Normativas da Comissão Nacional de Honorários Médicos (CNHM), que incluem procedimentos, mudam portes e corrigem regras. Em 2025 e 2026 saíram novas resoluções, todas listadas no site da AMB.
Na prática, o que vale no seu consultório é a edição que está escrita no contrato com cada operadora, com as resoluções que o contrato reconhece. Dois convênios podem pagar a mesma consulta por edições diferentes. Se você não sabe qual edição está no seu contrato, essa é a primeira pergunta para o faturamento.
A publicação completa é vendida pela AMB. PDFs de edições antigas circulam na internet em sites de cooperativas e órgãos públicos, mas servem só como consulta histórica.

A CBHPM é obrigatória para o convênio?
Não. Em 2003, o CFM publicou a Resolução 1.673, que adotava a CBHPM como "padrão mínimo e ético" de remuneração na saúde suplementar. A norma foi contestada pelo Ministério Público Federal e a Justiça declarou a nulidade dela, por entender que o conselho pode cuidar da ética médica, mas não pode impor uma tabela a contratos entre médicos e operadoras. A própria página da resolução no CFM traz o aviso: revogada pela Resolução CFM 2.293/2021.
A AMB publicou uma nota de esclarecimento sobre o tema: a revogação derrubou o caráter obrigatório, não a tabela. A CBHPM segue válida como parâmetro e pode ser usada, só não pode ser imposta à operadora.
Traduzindo para o consultório: o que o convênio paga é o que está no contrato. É comum o contrato citar a CBHPM com um percentual de ajuste, para cima ou para baixo, ou usar tabela própria da operadora. A tabela é o seu argumento na negociação. Não é a sua garantia.
O que a tabela CBHPM não resolve no faturamento do consultório
Aqui entra a parte que nenhum PDF de sociedade explica. Consultório que depende de convênio tem três problemas que a tabela não toca.
O preço é de outra pessoa. Você pode citar a CBHPM, mas quem fecha o valor é a operadora, e o reajuste também. Quem tem 80% da agenda num convênio só negocia com pouca força.
O dinheiro chega depois. Entre o atendimento, o envio da guia, a análise e o pagamento, passam semanas. E parte volta como glosa, dinheiro trabalhado e não recebido, que precisa de recurso para voltar.
A agenda enche com o ticket mais baixo. O convênio traz volume, e o volume ocupa o horário que poderia ser de um paciente particular.
O único preço que o consultório define sozinho é o particular. É por isso que a pergunta certa para quem vive de convênio não é "a operadora paga a CBHPM?", e sim "quantos pacientes particulares eu preciso por mês para não depender dela?". A conta de imposto e de retirada que acompanha essa decisão está no post sobre contabilidade para médicos.
Como diminuir a dependência do convênio sem largar a carteira
Ninguém precisa descredenciar amanhã. O caminho que a gente vê funcionar é construir o canal particular em paralelo e ir liberando horário conforme ele enche.
Três peças fazem esse canal andar. Primeiro, ser encontrado: perfil no Google completo, página que explica a consulta e quem atende, com nome, CRM e RQE, e anúncio para a especialidade na sua cidade. Segundo, responder rápido: o paciente particular que pergunta pelo Instagram às 20h e recebe resposta às 11h do dia seguinte já marcou com o colega que respondeu em cinco minutos. Onde isso se perde está no post sobre lead que não vira paciente. Terceiro, medir pelo que importa: custo por consulta particular agendada, não curtida.
Tudo isso dentro das regras de publicidade do CFM: sem promessa de resultado, sem antes e depois, sem preço de procedimento no anúncio. O que pode e o que não pode, artigo por artigo, está no post sobre publicidade médica e a Resolução CFM 2.336/2023.
É o trabalho que a gente faz há mais de cinco anos com consultórios e clínicas, mais de 76 atendidos e mais de R$10 milhões em anúncios sob gestão. Se quiser ver como funciona para consultório médico, veja o nosso marketing para clínicas médicas. O guia geral, com a ordem de investimento, está em marketing para clínicas.
Perguntas frequentes sobre a tabela CBHPM
O que é CBHPM? A Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos, publicada pela AMB com as sociedades de especialidade. Lista e hierarquiza os procedimentos médicos e propõe um padrão mínimo de remuneração.
Onde consultar a tabela CBHPM atualizada? No site da AMB, que vende a publicação e lista todas as resoluções normativas que a atualizam. Desconfie de "CBHPM 2026" em PDF gratuito: a última edição é de 2022, ajustada por resoluções.
CBHPM e TUSS são a mesma coisa? Não. A TUSS, da ANS, padroniza códigos e nomes para a guia. A CBHPM organiza hierarquia e valor de referência. A TUSS usa a CBHPM como base de nomenclatura dos procedimentos médicos.
O convênio é obrigado a pagar pela CBHPM? Não. A resolução do CFM que tornava a tabela padrão mínimo foi anulada pela Justiça e revogada em 2021. Vale o que está no contrato.
A CBHPM vale para consulta particular? Pode servir de referência interna, mas o preço particular é livre e definido pelo consultório. Só não pode ir para o anúncio, pela regra do CFM.
Resumo
A tabela CBHPM é a régua da medicina para dizer quanto cada procedimento vale perto dos outros. É ótima para negociar e para conferir o repasse. Não obriga ninguém a pagar. Confira qual edição está em cada contrato, cobre a operadora pelo que foi combinado e, em paralelo, construa o canal que traz paciente particular, que é o único preço que você controla.
Se quiser saber quanto do seu faturamento depende de convênio e o que falta para o particular andar, peça um diagnóstico gratuito. A gente olha a operação inteira, do primeiro contato do paciente ao fechamento do mês.
Quer saber onde sua clínica está perdendo pacientes?
A gente monta o diagnóstico de graça: tráfego, follow-up e processo comercial, com o que mudar primeiro.
Quero diagnóstico gratuito

