Quanto custa um CRC: a conta inteira do próprio e do terceirizado
Quanto custa um CRC para clínica em 2026: salário, encargos e custos que não aparecem na folha, como o terceirizado cobra e quando o CRC se paga.
7 min de leituraPor Pulsar
Neste artigo
- Quanto custa um CRC próprio: o salário é só o começo
- Quanto custa um funcionário CLT na clínica, de verdade
- Os custos do CRC que não aparecem na folha
- Quanto custa um CRC terceirizado e como ele cobra
- Salário de CRC: fixo, comissão ou os dois?
- Quando o CRC se paga: a conta que importa
- Quanto custa não ter CRC
- Como decidir sem errar a conta
Quanto custa um CRC é a pergunta errada feita no momento certo. O dono de clínica pergunta isso quando a agenda não acompanha a verba de anúncio, e a resposta que ele procura é um número só: o salário. Só que o salário é menos da metade da conta, e a parte mais cara de todas nem aparece na folha.
A parte mais cara é o lead que chegou às 19h40 de uma terça, pediu o valor da avaliação e recebeu resposta às 9h do dia seguinte, quando já tinha marcado em outro lugar. Você pagou por esse clique. Pagou o anúncio, a página e o tempo de quem montou a campanha. E não aparece em planilha nenhuma, porque ninguém registra o paciente que não veio.

Quanto custa um CRC próprio: o salário é só o começo
CRC é a central de relacionamento com o cliente: quem atende o contato que chega, qualifica, marca a avaliação e retoma quem sumiu. Na maioria das clínicas, essa pessoa é contratada com carteira assinada, e o ponto de partida da conta é o salário de mercado da função.
Uma referência pública ajuda a não chutar. Pelos dados do Novo CAGED compilados pelo Portal Salário, o salário médio de admissão de recepcionista no Brasil ficou em R$1.887,59 entre agosto de 2025 e julho de 2026, com amostra de mais de 650 mil contratações. É o piso da conversa. Um CRC de verdade, que tem meta de agendamento e conduz conversa de venda de tratamento, costuma ser contratado acima disso, com fixo maior ou com comissão.
Para a conta ficar concreta, vamos usar um exemplo hipotético com salário-base de R$2.500. Troque pelo número da sua cidade e da sua vaga. O raciocínio é o mesmo.
Quanto custa um funcionário CLT na clínica, de verdade
Sobre o salário entram os encargos e as provisões que a lei exige. Todo mês, mesmo que ninguém saque nada naquele mês:
- FGTS: 8% da remuneração, pela Lei nº 8.036/1990. No exemplo, R$200.
- 13º salário: um doze avos do salário por mês, R$208 no exemplo, mais o FGTS sobre ele.
- Férias com um terço: R$278 por mês provisionados no exemplo, mais o FGTS sobre elas.
- INSS patronal, RAT e terceiros: aqui a conta depende do regime da clínica. Fora do Simples Nacional, a contribuição patronal é de 20% sobre a folha, prevista na Lei nº 8.212/1991, e somando RAT e terceiros costuma passar de 26%. No Simples, na maior parte dos anexos de serviço, essa contribuição já vai dentro da guia única. Confirme o seu caso com o contador.
- Benefícios: vale-transporte (a clínica paga o que passar de 6% do salário) e o que a convenção coletiva da sua cidade mandar, como vale-refeição.
Com o salário de R$2.500 do exemplo, R$600 de vale-refeição e R$70 líquidos de vale-transporte, o custo mensal fica perto de R$3.900 numa clínica do Simples e perto de R$4.700 numa clínica fora dele. Ou seja: entre 1,5 e 1,9 vez o salário, antes de qualquer comissão e antes de ligar o computador.
Os custos do CRC que não aparecem na folha
Agora vem a parte que quase ninguém coloca na planilha, e que é justamente a que decide se o CRC próprio é barato ou caro:
- Ferramentas: computador, número de WhatsApp dedicado, licença do CRM, telefone, fone. Pouco por mês, mas existe.
- Horas do dono treinando: roteiro, objeções, procedimento por procedimento. Se o dono é dentista ou médico, cada hora de treino é uma hora a menos de cadeira.
- Cobertura: a jornada CLT é de até 44 horas por semana. A semana tem 168. O anúncio roda nas outras 124, inclusive no domingo à noite, que é quando muita gente pesquisa tratamento.
- Férias e faltas: um mês por ano o CRC está de férias. Se ninguém cobre, é um doze avos dos seus leads do ano entregues para a recepção atender "quando der".
- Rotatividade: quando a pessoa sai, a clínica paga a rescisão, fica semanas sem ninguém, contrata, treina de novo e passa mais um ou dois meses com alguém que ainda não rende. Clínica que trocou de CRC três vezes em dois anos pagou essa conta três vezes.
Nenhum desses itens vem com valor fixo, por isso a recomendação é a mesma de sempre: coloque os seus números. Mas não deixe a linha em branco. Linha em branco em planilha de custo vira "zero", e zero é a única resposta certamente errada.

Quanto custa um CRC terceirizado e como ele cobra
Aqui o honesto é dizer o que o mercado faz: quase nenhuma empresa de CRC publica tabela, e o preço muda conforme três coisas. Volume de contatos por mês, horário coberto (só comercial ou noite e fim de semana) e o que está incluído (só primeiro atendimento ou também confirmação e retomada de orçamento parado).
O formato de cobrança importa mais que o valor. Os três que aparecem:
- Mensalidade fixa: previsível, mas não amarra o fornecedor a nada que aconteça na sua agenda.
- Por agendamento: parece justo e é o mais perigoso. Quem ganha por avaliação marcada marca avaliação de quem não tem perfil, e a clínica paga pela cadeira vazia. A gente abriu esse problema no post sobre equipe de vendas terceirizada.
- Fixo mais variável por resultado confirmado pela clínica: avaliação que aconteceu ou paciente que fechou. É o que alinha os dois lados.
Para comparar propostas, divida o valor mensal pelo número de avaliações comparecidas que cada fornecedor se compromete a acompanhar. Preço por mês sozinho não compara nada. A comparação completa entre os dois modelos, com o que muda além do custo, está no post sobre CRC terceirizado ou próprio.
Salário de CRC: fixo, comissão ou os dois?
Fixo puro deixa o CRC confortável demais. Comissão pura assusta quem é bom, porque o resultado também depende do que acontece dentro do consultório, que ele não controla. O desenho que mais funciona nas clínicas que a gente acompanha é fixo de mercado mais variável sobre avaliação comparecida, com um bônus menor sobre tratamento fechado.
Dois cuidados. O variável entra no custo da conta acima, então inclua uma estimativa. E comissão sobre valor de tratamento empurra o CRC a vender o plano mais caro, o que bate de frente com o código de ética do seu conselho. Os percentuais e a base de cálculo que evitam isso estão no post sobre comissão para equipe de clínica.
Quando o CRC se paga: a conta que importa
Esqueça por um minuto se o CRC custa R$3.900 ou R$4.700. A pergunta que decide é quantos pacientes a mais por mês pagam esse custo. Continuando o exemplo hipotético:
- custo total do CRC próprio, fora do Simples, com ferramentas e variável: cerca de R$5.000 por mês;
- ticket médio do paciente que fecha: R$3.000;
- margem que sobra depois de material, laboratório e repasse do profissional: 40%, ou seja, R$1.200 por paciente.
Cinco pacientes a mais por mês pagam o CRC. Com 40% das avaliações virando tratamento, são cerca de 13 avaliações comparecidas a mais. Com 70% de comparecimento, perto de 18 agendamentos a mais. Numa clínica que recebe 200 contatos por mês, isso é subir a passagem de contato para agendamento em uns 9 pontos percentuais.
Isso é muito ou pouco? Depende de onde você está. Se hoje ninguém responde o WhatsApp à noite e o orçamento parado nunca é retomado, 9 pontos é pouco. Se a clínica já responde em minutos e liga para todo mundo que sumiu, o CRC novo vai ter trabalho para achar esses pontos. Por isso a conta começa medindo a passagem atual, e os números certos para isso estão no post sobre indicadores do CRC.
Quanto custa não ter CRC
É a linha que fecha a conta e a que quase ninguém escreve. Clínica sem CRC não economiza o salário. Ela paga em outra moeda: lead respondido depois de quatro horas, orçamento que ninguém retoma, recepção que atende paciente na porta e WhatsApp ao mesmo tempo e faz os dois pela metade.
Nas mais de 100 clínicas e consultórios que a gente já acompanhou por dentro, com mais de R$10 milhões em anúncios sob gestão, o padrão se repete: a reclamação chega como "o lead está ruim" e o problema aparece como "ninguém atendeu a tempo". Tráfego pago sem comercial é encher balde furado. O lead chega, ninguém atende, o dinheiro some.
Uma forma rápida de estimar o seu custo de não ter CRC: pegue os contatos do último mês que nunca receberam uma segunda mensagem. Multiplique pela taxa de agendamento que você tem com quem é bem atendido e pelo seu ticket. O resultado costuma ser maior que o salário de um CRC, e às vezes maior que o de dois.
Como decidir sem errar a conta
Monte uma planilha de uma página com três colunas: CRC próprio, CRC terceirizado e ficar como está. Em cada uma, o custo mensal completo (com os encargos e as linhas escondidas acima) e quantos pacientes a mais por mês você espera. Divida um pelo outro. Ganha o menor custo por paciente fechado, não o menor custo por mês.
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